When i first read…

Li o primeiro livro da Ana Teresa Pereira em 1998, estava de férias ao pé da praia. Nas arrumações das estantes da livraria onde trabalhava ja tinha parado varias vezes nesta escritora… na altura lembro-me que tinhamos sempre “As rosas mortas” e “A coisa que eu sou”. Mas nesse Verão, o Fernando Guerreiro ofereceu-me o Fairy Tales e levei-o comigo. Quando entrei dentro do pequeno livro, sem querer e sem saber, entrei no meu universo e mais tarde, quando li “Se eu morrer antes de acordar” percebi que nunca mais conseguiria desligar-me destes livros.

Aquele mundo era o meu mundo, alguns livros eram os meus, sobretudo “A Princesinha”, musicas, filmes, cidades… a pintura pré rafaelita descobri-a nestes dias de leitura… depois vieram os lugares que conseguia imaginar tão bem porque ja tinha passado por eles, as casas com janelas misteriosas e jardins abandonados

Quando li a entrevista do Ipsilon vi claramente Ana Teresa Pereira a “recolher” lugares, pessoas, objectos, cores, cheiros para construir os seus livros e reunir tudo rodeada pelo seu universo… percebo tão bem esta forma cinematografica de trabalhar… quantas vezes pensei “se fizessem um filme sobre um livro da ATP podia passar-se aqui” … por duas vezes encontrei Tom na rua… e cheguei a ver o mesmo verde das suas joias…

Penso que o mais dificil é saber que existem pessoas “concretas” que inspiram as suas personagens e ver Keira Knightley na figura feminina não é facil, pelo seu sorriso infantil… mesmo que tenha sido Lizzie em “Orgulho e Preconceito”…

Mas tenho percebido que nem todos vivemos os seus livros da mesma forma. Penso que ha os leitores que olham para a obra de uma forma conceptual e estrutural e ha os que fazem parte desse mundo inteiro… eu sinto que faço parte destes…

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7 respostas a When i first read…

  1. Luzia Antunes diz:

    “Conheci” Ana Teresa Pereira através de “Se eu morrer antes de acordar”. Comprei-o porque o título me chamou a atenção…e depois dele comprei todos os outros que ela escreveu para tentar regressar a esse mundo que também considero meu. Por vezes leio-os com um bloco ao lado, onde vou escrevendo…frases, autores, pintores, músicas para mais tarde encontrar. Outras entro tão dentro daquele mundo, que tenho de ler pelo menos 3 obras dela de seguida porque se saio demasiado cedo, a realidade aparece demasiado sufocante. Sonho com uma casa num lugar remoto perto do mar…onde poderia acabar os meus dias sem qualquer remorso. E por vezes volto ao inicio “Se eu morrer antes de acordar” continua a despertar em mim a mesma emoção da primeira vez…

  2. Anónimo diz:

    😉

    luzia fiquei com vontade de regressar ao “se eu morrer antesd e acordar” … e de caderno ao lado…

  3. J. diz:

    😉

    luzia fiquei com vontade de regressar ao “se eu morrer antes de acordar”… e de caderno ao lado…

  4. Nuno Cruz diz:

    Muito bom. Luzia, não queres explicar melhor essas ideias, em forma de post, aqui no blog?

  5. Luzia Antunes diz:

    17/Agosto/2008

    Gostava de aprender a sentir-me realmente bem com a minha própria solidão…pelo menos nessa altura poderia encontrar alguma paz!
    Por vezes apercebo-me que os dias passaram sem que me desse conta, que permaneci numa rotina diária e mecânica sem emoção em demasia que pudesse abalar a apatia instalada.
    Pergunto-me quando será a minha vez de … pergunto-me constantemente mas a mente permanece vazia de tudo e de nada. Contudo este estado reflexivo não advém de uma terapia zen que tenha contribuido para o esvaziar do pensamento…porque a minha cabeça funciona a mil e a maioria das vezes nem eu própria consigo apanhar os pensamentos que deambulam como fantasmas numa casa assombrada.
    O facto de andar a ler Ana Teresa Pereira não ajuda. É das poucas autoras portuguesas que leio, aliás é a única. Não sei se leio por gosto ou por vício, sei que me perturba, que não me deixa indiferente e que me transporta para um mundo do qual eu dificilmente consigo encontrar a saída. É um mundo escuro, de casas solitárias, de flores e cheiros, de elementos constantes, de uma solidão perturbadora, de uma paixão eterna, de um mar negro e libertador…

    15/Set/2008

    Sempre que acabo de ler Ana Teresa Pereira, o mundo em que vivo parece-me irreal e sinto uma urgência em voltar para a familiaridade que sinto quando leio as histórias. É quase como se fizessem parte de mim, inquietam e confortam ao mesmo tempo.
    Como se fosse possivel estar ao mesmo tempo com uma excitação de criança e uma tristeza de um conhecimento antigo e recorrente da vida…
    Naquele momento não sou eu, nem sou ninguém, esqueço-me do mundo e de mim com um sentimento de pertença inequivoco e nunca antes sentido. No momento em que a última frase termina e sou obrigada a levantar os olhos, sinto dificuldades em distinguir o que é o sonho e o que é a realidade…
    Nessa altura sinto uma nostalgia que me leva a desejar ficar em silêncio e voltar a ler. Fico apática e sem paciência para o resto do mundo e qualquer esforço para falar esgota todas as minhas energias, porque também me sinto completa e não quero perder esse momento.

    25/Out/2009

    Existe um parte de nós demasiado obscura, demasiado selvagem para aceitarmos reconhecer. O medo do escuro/obscuro está sempre presente mesmo quando não está.
    “O que o faz sentir terror é o amor dela por ele. (…) Porque ele mesmo tem medo de amar (…) Aquela mulher da sua idade, mais ou menos parecida com ele, que sem palavras lhe promete uma felicidade que ele sempre julgara impossível…é talvez o seu duplo, a sua alma gémea. O seu amor. O reconhecimento nos olhos dela («as if she had been waiting for him all her life»…) Amar será reconhecer?”

    Ana Teresa Pereira

    Voltei a ler Ana Teresa Pereira, voltei a precisar de entrar naquele mundo escuro, obscuro assustador e…aconchegante (como uma manta no inverno que não impede de sentir um arrepio profundo), voltei a precisar recordar o que sinto quando a leio… há uma parte de mim que só aparece com ela e que me faz questionar tudo…até mesmo eu própria.
    A ferocidade, o familar, o reconhecimento, as imagens… em todos os livros dela me identifico com as personagens, e apesar de isso acontecer com os outros, não é nem de longe com a mesma intensidade…acabo um conto e anseio por outro, como um vício que tenho de satisfazer urgentemente…ou um desejo urgente.
    É provavelmente a única pessoa, que conhecendo apenas como autora dos livros, gostaria verdadeiramente de conhecer…e ao mesmo tempo tenho medo, de que não corresponda às minhas expectativas (ainda que não faça a menor ideia de quais são), de que eu seja apenas mais uma leitora anónima dos seus livros…
    E apesar das palavras nem mesmo elas traduzem tudo o que acontece cá dentro de cada vez que leio aqueles contos fantásticos, fantasmagóricos, tenebrosos, obsessivos e irremediavelmente irresistiveis… e é nesses momentos que a parte de mim que muitas vezes se perde na lua e que poderá ser considerá como misteriosa, finalmente se encontra…mesmo sem perceber o que tudo isso significa….
    ——————————————————-
    Estes foram alguns dos post escritos por mim noutro espaço em que a leitura da obra de Ana Teresa Pereira esteve presente.
    Entretanto comecei a perceber que no inicio de alguns contos a autora indica referências de livros, fimes, pinturas…que eu procurei ler tendo em mente o mundo de Ana Teresa Pereira, para compreender melhor todas as influências e pormenores.
    De Portrait of a Lady e Turn of the Screw de Henry James, Árvore da Noite e Harpa de Ervas de Truman Capote, O Último Suspeito de Agatha Christie, Rebecca de Alfred Hitchcock, A Herdeira de William Wyler a Wings of Desire de Wim Wenders…faltam ainda aqui muitas outras referências, até mesmo de quadros, pintores e compositores. Percebi que estas apareciam principalmente no ínicio do conto e à medida que a história vai evoluindo e se vai concentrando mais nas personagens e na relação entre elas, as referências vão diminuindo. Assim é possivel continuar a viver naquele mundo, mesmo quando começámos a sua vivência a parar para escrever de cada vez que aparecia uma referência ou uma frase que nos chamou mais a atenção. É como se a obscuridade nos começasse a rodear e a conduzir para a história de uma forma inperceptivel e irrecusável.
    A obra de Ana Teresa Pereira consegue ser de uma riqueza enorme para todos os sentidos da alma.

  6. Nuno Cruz diz:

    Muito obrigado pela partilha do teu “diário”! Posso colocar as tuas palavras na página principal, como post?

  7. Luzia Antunes diz:

    Está à vontade.

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