Os Contos de Ana Teresa Pereira







Contos de Ana Teresa Pereira é o último livro da autora e o nº 5 da colecção Contos da Relógio D’Água, reunindo num só volume alguns textos publicados nesta e noutras editoras.

A começar encontramos Fairy Tales, conjunto de textos que foi editado pela Black Sun Editores e posteriormente recuperado para a segunda parte do livro A Coisa que Eu Sou, Relógio D’Água, 1997. Ele inclui os contos, As Asas, As Rosas, As Estátuas, O Prisioneiro, Os Monstros, O Ponto de Vista das Gaivotas, Tell Me Something Nice (também editado na revista Bíblia), O Teu Lugar No Meu Corpo e As Beladonas.

O segundo conto é Até Que a Morte Nos Separe, versão publicada na Invista que foi posteriormente revista e aumentada dando origem ao livro com o mesmo nome editado pela Relógio D’Água em 2000.

O Anjo Esquecido, Sete Anos e A Noite Mais Escura da Alma são os três contos do último livro que Ana Teresa Pereira (ATP) editou na Caminho com o título de A Noite Mais Escura da Alma, em 1997.

Num Lugar Solitário é também a transcrição integral do livro com o mesmo nome publicado na Caminho em 1996.

Se Eu Morrer Antes de Acordar, o último conto deste livro, é também o último do livro com o mesmo nome editado pela Relógio D’Água em 2000.

A oportunidade da reunião destes contos de ATP nesta colecção é discutível, mas tem, logo à partida o interesse de juntar o nome da autora ao de quatro outros grandes escritores: Edith Wharton, Virginia Woolf, Katherine Mansfield e Aleksandr Púchkin, os quatro primeiros livros da colecção. É discutível porque não nos traz nada de novo, o que poderia levar a pensar numa estratégia comercial da empresa de reeditar os textos de ATP e aumentar as vendas. Mas ao mesmo tempo isso não faz sentido porque ATP não vende muito, apesar de nos últimos tempos ter editado quase dois livros por ano. Esta edição tem também o mérito de trazer para a Relógio D’Água os textos mais importantes que a autora publicou na Caminho, ou seja, os livros A noite Mais Escura da Alma e Num Lugar Solitário.

A selecção e organização deste volume parece “ter a mão” da própria autora, os textos escolhidos e a forma como estão dispostos têm as características da sua escrita envolvente. Por outro lado a fotografia da capa é ridícula e o próprio arranjo gráfico fica longe do universo de ATP, o que nos leva a supor que nada disto teve a ver com ela.

Em que ficamos?

Na minha opinião, num ponto de viragem, em que a obra de ATP tem de provar a si mesma o valor da sua escrita, não a mais ninguém, nem a editores, nem aos leitores dos seus livros e crónicas.

Uma das criticas mais comuns aos seus livros é a obsessão dos temas, a escrita recorrente e cheia de referências explicitas. Uma escritora de “copy paste” como tantas vezes já ouvi dizer, referindo-se especificamente ao livro As Rosas Mortas, Relógio D’Água, 1998. Não estou de acordo, nunca estive e já rebati esta e outras ideias vezes sem conta. As obsessões de ATP são a melhor característica da sua escrita. Mas terei de reconhecer algum fundamento nestas ideias se continuarem a ser editados livros como este último ou mesmo como Intimações de Morte, Relógio D’Água, 2003, em que a revisão técnica estragou por completo um romance quase perfeito, como refere Helena Barbas no Expresso.

Espero que 2004 traga Ana Teresa Pereira no seu melhor, não importa se for “mais do mesmo”.

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