O labirinto do Medo: Ana Teresa Pereira

“Ler Ana Teresa Pereira é descer da falsa luz da imagem até à escuridão absoluta onde mesmo o confronto com os nossos próprios fantasmas é ainda uma forma de representação, de desistência, de não compreensão. De facto, não resistimos a olhar o rosto do outro, a ver aquilo que imaginamos.

Recordo um fim de tarde no Funchal. Eu estava sentado diante de Ana Teresa Pereira. Falávamos como não podia deixar de ser, de livros. O dia declinava e, em certo momento, a escuridão era quase total. O som das nossas vozes, que ecoava nessa escuridão, começava a tornar-se-me insuportável. Disse então: não se pode acender uma luz? É que já não te vejo o rosto!

Este episódio pode representar a dificuldade de qualquer leitor perante os textos de Ana Teresa Pereira.

Há sempre um momento em que a tentação de acender a luz é demasiado forte. Mas é preciso tentar, tentar sempre…tentar que a luz nasça do fundo da escuridão e não de um qualquer ponto absolutamente exterior a ele e que não dilua as sombras por completo.”

Rui Magalhães, O Labirinto do Medo: Ana Teresa Pereira, Angelus Novus.

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