Ainda sobre o mesmo tema

19/01/2010

Texto encontrado no Jornal da Madeira:

Com obra “O verão selvagem dos teus olhos”
Ana Teresa Pereira entre dez finalistas

Um nome da literatura madeirense figura entre as dez obras finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa para a edição de 2010 do Correntes d’Escritas, que irá decorrer entre 24 e 27 de Fevereiro. A obra de Ana Teresa Pereira, O verão selvagem dos teus olhos, foi seleccionada pelo júri constituído por Carlos Vaz Marques, Dulce Maria Cardoso, Fernando J.B. Martinho, Patrícia Reis e Vergílio Alberto Vieira, os quais, escolheram também
A Eternidade e o Desejo, de Inês Pedrosa; A Mão Esquerda de Deus, de Pedro Almeida Vieira; A Sala Magenta, de Mário de Carvalho; Myra de Maria Velho da Costa; O apocalipse dos trabalhadores, de valter hugo mãe; O Cónego, de A. M. Pires Cabral; O Mundo, Juan José Millás; Rakushisha, de Adriana Lisboa e por fim, Três Lindas Cubanas, de Gonzalo Celorio.
No total, foram submetidos a concurso 160 livros de autores de língua portuguesa, castelhana ou hispânica, com obras em 1ª. edição, em português e editadas em Portugal entre Julho de 2007 e Junho de 2009, excluindo-se as obras póstumas e ainda aquelas da autoria de galardoados com o Prémio Literário Casino da Póvoa nos últimos seis anos.
O Prémio Literário Casino da Póvoa, no valor de 20 mil euros, é o único prémio de cariz internacional que em Portugal ultrapassa as fronteiras da língua portuguesa. Este ano distingue uma obra em prosa (em anos ímpares distingue poesia). A 23 de Fevereiro, dia anterior ao arranque da 11ª edição do Correntes d’Escritas, o júri reúne pela última vez para decidir qual o vencedor do prémio, decisão que será anunciada no dia 24, na sessão pública de abertura do Encontro. O prémio é entregue no dia 27, na sessão de encerramento.
Para além do Prémio Literário Casino da Póvoa, o Correntes d’Escritas incluiu outros dois prémios: o Prémio Literário Correntes d’Escritas/Papelaria Locus, para jovens entre os 15 e os 18 anos, no valor de 1.000 euros; e o Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d’Escritas/Porto Editora, para alunos do 4º ano do Ensino Básico.
A próxima edição do Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão Ibérica contará com a participação de cerca de 60 escritores e incluirá, à semelhança de edições anteriores, uma série de outras iniciativas: espectáculos de teatro e cinema, sessões de poesia, lançamentos de novos livros, sessões com público escolar, entre outros.

Lucia Mendonça da Silva


Correcção

08/01/2010

Já foram anunciados os finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa.

São dez escritores. Sete portugueses, um espanhol, um mexicano e uma brasileira.
A saber:

- Inês Pedrosa, por A Eternidade e o Desejo (Dom Quixote)
- Pedro Almeida Vieira, por A Mão Esquerda de Deus (Dom Quixote)
- Mário de Carvalho, por A Sala Magenta (Caminho)
- Maria Velho da Costa, por Myra (Assírio & Alvim)
- valter hugo mãe, por o apocalipse dos trabalhadores (QuidNovi)
- A. M. Pires Cabral, por O Cónego (Cotovia)
- Juan José Millás, por O Mundo (Planeta)
- Ana Teresa Pereira, por O Verão Selvagem dos Teus Olhos (Relógio d’Água)
- Adriana Lisboa, por Rakushisha (Quetzal)
- Gonzalo Celorio, por Três Lindas Cubanas (Quetzal)

Este lote foi escolhido, de um conjunto de 160 obras de autores ibero-americanos, por um júri composto por Carlos Vaz Marques, Dulce Maria Cardoso, Fernando J.B. Martinho, Patrícia Reis e Vergílio Alberto Vieira. O prémio (no valor de 20 mil euros) será anunciado a 24 de Fevereiro, no primeiro dia da 11.ª edição das Correntes d’Escritas, e entregue três dias depois, na sessão de encerramento daquele encontro literário.
Mais informações sobre o prémio aqui. E sobre as Correntes d’Escritas 2010 aqui.


Finalistas de Prémio Literário Correntes d’Escritas

05/01/2010

Finalistas do Prémio Literário Correntes d’Escritas – o apocalipse dos trabalhadores, valter hugo mãe – Rakushisha, Adriana Lisboa – O Mundo, Juan J. Millás – O Cónego, A.M.Pires Cabral – O Verão Selvagem dos Teus Olhos, Ana T. Pereira – Três Lindas Cubana, Gonzalo Celorio – A Eternidade e o Desejo, Inês Pedrosa – Myra, Maria Velho da Costa – A Sala Magenta, Mário de Carvalho – A Mão Esquerda de Deus, Pedro A. Vieira


Mad as the Mist and Snow

04/01/2010

Bolt and bar the shutter,
For the foul winds blow:
Our minds are at their best this night,
And I seem to know
That everything outside us is
Mad as the mist and snow.

Horace there by Homer stands,
Plato stands below,
And here is Tully’s open page.
How many years ago
Were you and I unlettered lads
Mad as the mist and snow?

You ask what makes me sigh, old friend,
What makes me shudder so?
I shudder and I sigh to think
That even Cicero
And many-minded Homer were
Mad as the mist and snow.

William Butler Yeats


Ideias de e sobre O Fim de Lizzie e Outras Histórias

04/01/2010

Ando a pensar neste texto desde que encontrei o último livro de Ana Teresa Pereira, O Fim de Lizzie e Outras Histórias, no passado dia 18 de Dezembro de 2009.  Li a notícia no Jornal da Madeira e encontrei o livro na Fnac do Colombo quase ao mesmo tempo (maravilhas das novas tecnologias). Antes de mais uma “declaração de interesses”, tão na moda nestes dias, e antes que me queime como aconteceu na última vez em que fiz uma reflexão mais profunda a um livro da Ana, o famoso livro Contos de, que tantos comentários produziu na altura. Os dois primeiros contos deste livro, Numa Manhã Fria e O Fim de Lizzie já tinham sido editados anteriormente. Numa Manhã Fria foi editado no livro Histórias Policiais de 2006 pela Relógio D’Água, colecção Crime Imperfeito  e em Maio de 2008 foi editado, também pela Relógio D’Água mas na colecção Biblioteca de Editores Independentes, o livro O Fim de Lizzie, que contém os contos Numa Manhã Fria e o Fim de Lizzie. Não confirmei se os textos são integralmente idênticos nas várias edições ou se existem alterações significativas. Numa leitura deste último livro parecem-me idênticas, tanto quanto a memória me permite assegurar. Dito isto começo (uma parte).

Neste livro estão reunidos três contos, um deles inédito intitulado O Sonho do Unicórnio, em que a atmosfera da acção e as personagens são as mesmas, Lizzie, Miranda, John, Kevin e a casa de Wistaria Hall. Pode-se acrescentar ainda a neve, o nevoeiro, a Cornualha. Num baralhamento de situações tão próprio da autora, sem que exista verdadeiramente uma continuação, um seguimento, uma linha temporal entre os vários contos ou mesmo dentro de cada um deles. Comecei a lê-lo pelo fim, exactamente pelo O Sonho do Unicónio. Os dois primeiros contos, Numa Manhã Fria e O Fim de Lizzie já os conhecia. Gostei muito, de reencontrar as personagens, a casa e a outra sobre as rochas, da referência a um poema de Yeats, Mad as the Mist and Snow, a cantilena do Mulberry bush, here we go round the Mulberry bush… as Variações Goldberg, as tangerinas.  E mais não digo, aguardo por comentários para desenvolver alguns temas.

Deixo apenas algumas frases:

Eu sempre achei que o mundo começa inúmeras vezes.

Um deus que vagueava pelo nevoeiro.

Mas se eu me lembro dos sonhos… então sou real, não é verdade?

Não há finais felizes, mas há viagens felizes.

 

O posfácio do Fernando Guerreiro ainda não li.

 


O Fim de Lizzie e Outras Histórias

18/12/2009

Novo de livro de Ana Teresa Pereira, com reedição de Numa Manhã Fria e O Fim de Lizzie (agora na Relógio D’água) e com o novo texto O Sonho do Unicórnio. Três histórias no mesmo universo e com as mesmas personagens. Tem também um posfácio de Fernando Guerreiro (novidade absoluta nos livros da autora) intitulado O Mal das Flores.

Mais informação depois da leitura


Novo livro de Ana Teresa Pereira

18/12/2009

“O Fim de Lizzie e Outras histórias”

Um livro com três novelas, três histórias, que funciona como num “tríptico”, num universo de “variações” sobre as mesmas personagens, ambientes e cenários.
Duas novelas já foram publicadas em edição de bolso, mas agora juntam-se a uma outra, inédita – O Sonho do Unicórnio, numa nova edição da Relógio d’Água.
O Sonho do Unicórnio continua, assim, um conjunto de lugares, palavras, nomes e protagonistas conhecidos, tratados deliberadamente pela autora, com o objectivo de “transforma o texto todo”.
Sobre alguns aspectos em particular, a terceira novela, apesar de tudo, “leva mais longe a questão da fragilidade do real, da própria identidade, porque nela se esbate, mais do que nunca, a separação entre as personagens”, disse Ana Teresa Pereira em breves declarações ao JM.
É o anseio pelo “eterno retorno”, o regresso ao mesmo mundo, mas para o transformar e aprofundar cada vez mais. “Podia passar o resto da minha vida a escrever variações sobre as mesmas histórias e personagens. É uma possibilidade de ir um pouco mais fundo e revelar o que até então parecia oculto, num processo que pode ser infinto”, considera a autora.
Ana Teresa Pereira estreou-se nas letras em 1989, com Matar a Imagem, e hoje ocupa lugar de destaque na literatura portuguesa. Nos últimos anos, alguns dos seus livros, como A Última História, Num Lugar Solitário, A Noite Mais Escura da Alma, A coisa que eu sou, As rosas mortas, O mar de gelo, O rosto de Deus, Quando atravessares o rio, Até que a morte nos separe, Se eu morrer antes de acordar, têm merecido críticas favoráveis e leitores fiéis que reconhecem a sua criação singular, “inquietante”, inovadora do ponto de vista ficcional e reveladora de um grande talento. As raízes da sua escrita estão numa sólida cultura literária e na sua paixão pelo cinema.
Porém, o que mais gosta é de escrever. Reproduzir o mais profundo, mais do que o mundo exterior. “Acho que sempre tive facilidade em aceder ao meu mundo interior. O outro lado do espelho. O tempo, o espaço e a identidade não têm qualquer consistência. As leis são as do inconsciente, a omnipotência do pensamento, a compulsão à repetição”, disse um dia ao Jornal de Letras (Agosto de 2008).
O Fim de Lizzie e Outras Histórias é uma livro a não perder, o mesmo de diga do excelente posfácio assinado por Fernando Guerreiro.

Vera Luza

no Jornal da Madeira 18-12-2009


A Noite Mais Escura da Alma

29/10/2009

Uma pequena participação no blog no vazio da onda:

«Naquela noite sonhou que tinha voltado à torre.
A sua torre.
Não sabia localizá-la. No fim de um caminho entre rochas escarpadas (onde cresciam flores brancas), atrás de uma povoação fantasma varrida pelo vento, ou vagamente confundida com uma casa em ruínas onde entrava o nevoeiro.
Estivera lá muitas vezes, ao longo dos anos, sempre com aquela sensação de reconhecimento, de “voltar”. Mas nunca trouxera a sua imagem para a vida acordada, era um local nocturno, de outro mundo.
A torre era de pedra, com aberturas irregulares por onde se viam as rochas e o mar. Tinha a vaga ideia de já ter descido as escadas, de ter mergulhado em pântanos e silêncio.»
(…)
‘A Noite Mais Escura da Alma’, Ana Teresa Pereira, Caminho, 1997


Ana Teresa Pereira na colecção Crime Imperfeito

29/09/2009

que o diabo leve a mosca azul

Há uns tempos atrás, enquanto espreitava o site da Relógio d’Água à procura de novidades descobri o livro “Onze Aventuras de Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle… mas o que esta descoberta teve de surpreendente foi o facto dos onze contos terem sido escolhidos por Ana Teresa Pereira… nessa altura pensei que gostaria de comprar o livro pois o interesse que tenho pelo seu trabalho vai além dos livros da escritora e entra no universo das referências…

… e este fim-de-semana, em troca de mails com uma amiga fiquei a saber que a Ana Teresa Pereira é também responsável por alguns prefácios na colecção “Crime Imperfeito” (onde também encontramos alguns titulos seus) da Relógio d’Água

Mais pormenores aqui


Agora somos três

09/09/2009

Esqueci-me de avisar que agora somos três.

Desde Agosto que contamos com a colaboração da amiga Joana Linda, o que pessoalmente me deixa muito contente.

Ela prometeu novidades para breve, assim o tempo o permita, em relação ao design do blog e novos posts. Aguardamos…