A Noite Mais Escura da Alma

29/10/2009

Uma pequena participação no blog no vazio da onda:

«Naquela noite sonhou que tinha voltado à torre.
A sua torre.
Não sabia localizá-la. No fim de um caminho entre rochas escarpadas (onde cresciam flores brancas), atrás de uma povoação fantasma varrida pelo vento, ou vagamente confundida com uma casa em ruínas onde entrava o nevoeiro.
Estivera lá muitas vezes, ao longo dos anos, sempre com aquela sensação de reconhecimento, de “voltar”. Mas nunca trouxera a sua imagem para a vida acordada, era um local nocturno, de outro mundo.
A torre era de pedra, com aberturas irregulares por onde se viam as rochas e o mar. Tinha a vaga ideia de já ter descido as escadas, de ter mergulhado em pântanos e silêncio.»
(…)
‘A Noite Mais Escura da Alma’, Ana Teresa Pereira, Caminho, 1997


Ana Teresa Pereira na colecção Crime Imperfeito

29/09/2009

que o diabo leve a mosca azul

Há uns tempos atrás, enquanto espreitava o site da Relógio d’Água à procura de novidades descobri o livro “Onze Aventuras de Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle… mas o que esta descoberta teve de surpreendente foi o facto dos onze contos terem sido escolhidos por Ana Teresa Pereira… nessa altura pensei que gostaria de comprar o livro pois o interesse que tenho pelo seu trabalho vai além dos livros da escritora e entra no universo das referências…

… e este fim-de-semana, em troca de mails com uma amiga fiquei a saber que a Ana Teresa Pereira é também responsável por alguns prefácios na colecção “Crime Imperfeito” (onde também encontramos alguns titulos seus) da Relógio d’Água

Mais pormenores aqui


Agora somos três

09/09/2009

Esqueci-me de avisar que agora somos três.

Desde Agosto que contamos com a colaboração da amiga Joana Linda, o que pessoalmente me deixa muito contente.

Ela prometeu novidades para breve, assim o tempo o permita, em relação ao design do blog e novos posts. Aguardamos…


Matar a Imagem

26/08/2009
Lyon, cour d'une "traboule"

Lyon, cour d'une "traboule"

E acabei por fazer aquilo que sempre quis, ler os livros da Ana Teresa Pereira pela ordem que foram escritos. Comecei então pelo título «Matar a Imagem » e peguei num caderno feito por mim, nos tempos das aulas de encadernação, onde fui anotando as várias referências que costumo encontrar nos livros dela. Os nomes, os lugares, as músicas, os filmes, os livros, os autores… regressar a este livro foi regressar ao início, saber de onde e como nasceu Tom, olhar para os « duplos » e reviver outros livros que sairam mais tarde… gostei de ver lugares concretos… há Lisboa, há as manhãs azuis de Lisboa… há a Calçada do Duque, a Trindade, o Cinema Quarteto… há os cafés de Lisboa, há pãezinhos de leite simples, deliciosos bolos de laranja e chocolate de nozes…

Nos nomes há a Rita, o David, o Miguel e Tom que encontraremos mais adiante, noutros livros… na música há o Leonard Cohen, há Jazz entre outros nomes e estilos… dos livros e autores, há referências sem fim, mas talvez as que mais se destacam sejam John Dickson Carr, Poe, William Irish, Enid Blyton, Jorge Luis Borges, Ruth Rendall, Truman Capote, Henry James, Patricia Highsmith… nos filmes há o Hitchcock, « As Asas do Desejo » e o « Blue Velvet »… e há Van Gogh com « Noite Estrelada », há Klee com « Villa R. », há mulheres de jeans, blusas verdes e joias… há homens de olhos fundos… há flores… muitas… há gatos… e há uma ilha que não tem nome, mas que conseguimos adivinhar…

« Ele e o cais, ele e o mar, e as gaivotas, eram um só, eram partes de um todo, e a gaivota era ele e ele era a gaivota (…) e sabia agora que ele era Rita, e Rita era ele, e só assim se explicava que entrassem um no outro e se deixassem ficar assim, como faziam tantas noites… »


Outros textos e links

20/08/2009

Um post rápido para deixar os links para cinco textos que encontrei por acaso: um excelente texto da Raquel Costa, uma recensão de Urbano Tavares Rodrigues na Leitur@ Gulbenkian, um post no blog da Casa Fernando Pessoa, um post da amiga saturnine e uma critica na PNET Literatura.
Deixo ainda o link para os arquivos da extinta Storm Magazine com dois textos sobre Rui Magalhães, autor do livro sobre a Ana Teresa Pereira, O Labirinto do Medo.


(parênteses)…

13/08/2009

matar a imagem imatar a imagem ii

Resolvi começar pelo princípio e peguei no livro “Matar a Imagem” … antes de o abrir olhei bem para a capa, folheei-o e foi sem qualquer recordação desta imagem e com grande espanto que dei com a contracapa… foi há 20 anos, mas ainda assim continuo sem encontrar sentido para esta “página publicitária” da Sagres na contracapa do primeiro livro da Ana Teresa Pereira…


Ana Teresa Pereira… noutros lugares…

11/08/2009
Proserpine (1874), Dante Gabriel Rossetti

Proserpine (1874), Dante Gabriel Rossetti

Há dias encontrei estas palavras no blog da Trama que me fizeram pensar no comentário que deixei no último post do Nuno… e voltaram a lembrar-me das palavras do Eduardo Prado Coelho num Mil Folhas, de há uns tempos atrás:

“há o risco de uma certa monotonia, mas cria-se o conforto dos reencontros, como quem todos os anos pelas férias regressa à mesma praia e aos pequenos bares que as rodeiam e às casas pequenas sobre a areia.”

“o princípio do mundo. um anjo do princípio do mundo” (…) ” em todos os livro há duas pessoas que estão ligadas… mas como já se conhecem há muito tempo (…) desde o princípio do mundo? – algo assim. – e eles encontram-se… – suponho que em todos os livros… eles se encontram de novo”

“é isso que redime a repetição: o que se repete é sempre a primeira vez e é como primeira vez irrepetível que se repete.”

… e aconchega-me pensar que ha coisas que permanecem intactas…


A Harpa de Ervas

04/08/2009

É impossível ler a Harpa de Ervas de Truman Capote e não nos lembrarmos da crónica da Ana sobre este livro. No seu texto Nostalgia publicado no jornal Público e mais tarde no livro de crónicas O Ponto de Vista dos Demónios fala da sua relação com este texto, porque cresceu com ele. Ou da crónica O Amor, publicada nos mesmo sítios, em que relembra Dolly e o poema The Great Lover de Rupert Brooke.
Ou mesmo da sua “critica” ao livro publicado no jornal Público: “A Harpa de Ervas” não é exactamente um livro para ler. É muito mais do que isso. É um livro para reler. Como um texto sagrado ou um conto de fadas. Até ao fim da vida.
E é impossível pensar em Truman Capote e não recordar uma das suas frases mais famosas: não importa o que se diz mas como se diz. O que nos leva a uma imensa discussão sobre forma e conteúdo. Continuo a pensar que são possíveis as duas, embora sem conteúdo não exista forma que nos valha. Ou estarei errado? E o que tem tudo isto a ver com a obra da Ana? Tem mais forma ou conteúdo?
Aguardo comentários.


De volta em nova morada

31/07/2009

Este blog está de volta, em nova morada. Antes estava em anateresapereira.blogspot.com.
Copiámos todos os posts antigos e todos os textos para aqui, com algumas novidades.

Agora somos dois, mas queremos ser mais. Relembramos que o blog está aberto à colaboração de todos.
Esperamos contribuições e comentários e prometemos novidades para breve.


Portuguese writers [fiction] – Ana Teresa Pereira

15/03/2006
No site do IPLB existe uma tradução dos quatro primeiros capítulos do livro “Se Nos Econtrarmos de Novo” [If We Meet Again]. Para a leitura tem de se descarregar o ficheiro .pdf