
Lyon, cour d'une "traboule"
E acabei por fazer aquilo que sempre quis, ler os livros da Ana Teresa Pereira pela ordem que foram escritos. Comecei então pelo título «Matar a Imagem » e peguei num caderno feito por mim, nos tempos das aulas de encadernação, onde fui anotando as várias referências que costumo encontrar nos livros dela. Os nomes, os lugares, as músicas, os filmes, os livros, os autores… regressar a este livro foi regressar ao início, saber de onde e como nasceu Tom, olhar para os « duplos » e reviver outros livros que sairam mais tarde… gostei de ver lugares concretos… há Lisboa, há as manhãs azuis de Lisboa… há a Calçada do Duque, a Trindade, o Cinema Quarteto… há os cafés de Lisboa, há pãezinhos de leite simples, deliciosos bolos de laranja e chocolate de nozes…
Nos nomes há a Rita, o David, o Miguel e Tom que encontraremos mais adiante, noutros livros… na música há o Leonard Cohen, há Jazz entre outros nomes e estilos… dos livros e autores, há referências sem fim, mas talvez as que mais se destacam sejam John Dickson Carr, Poe, William Irish, Enid Blyton, Jorge Luis Borges, Ruth Rendall, Truman Capote, Henry James, Patricia Highsmith… nos filmes há o Hitchcock, « As Asas do Desejo » e o « Blue Velvet »… e há Van Gogh com « Noite Estrelada », há Klee com « Villa R. », há mulheres de jeans, blusas verdes e joias… há homens de olhos fundos… há flores… muitas… há gatos… e há uma ilha que não tem nome, mas que conseguimos adivinhar…
« Ele e o cais, ele e o mar, e as gaivotas, eram um só, eram partes de um todo, e a gaivota era ele e ele era a gaivota (…) e sabia agora que ele era Rita, e Rita era ele, e só assim se explicava que entrassem um no outro e se deixassem ficar assim, como faziam tantas noites… »